Comprar Sem Se Vender

Sempre penso muito a respeito da prostituição: será que não somos todos, de certa forma, prostitutos?
Penso por mim mesmo: me sinto violado tendo que trabalhar da maneira que eu trabalho. E olha que estou em uma condição confortável. Mas, não trabalho em algo que é meu e trabalho por dever, obrigação, assim como boa parte da população brasileira, quiça mundial.
O engraçado é que a sociedade moderna continua tratando o trabalho como algo inteiramente gratificante quando não é. Lembremos que a etimologia da palavra trabalho vem de um instrumento de tortura da idade média.
De onde vem o seu dinheiro? Veio de fazer coisas que destruiram a natureza? Ele veio de cumprir ordens idiotas? Veio de fazer algo que você não queria fazer? Veio do sangue de pessoas ou de animais?
Pensemos na ética do trabalho, pelo menos um pouco.
Você compra sem se vender? Pagam o suficiente pelo seu tempo?
Luto, diariamente, comigo mesmo, para encontrar algo que me dê real prazer de fazer e que eu possa sustentar a minha família a partir dessa atividade. Ainda não consigo... já caí nas armadilhas da sociedade moderna e estou tão capturado pela lógica vigilante e punitiva que me tornei carrasco e vítima deste instrumento. Dividas nos perseguem, o lugar na sociedade, o "manter o cabelo curto"...
Hoje, em 2020, isso nunca foi tão forte e tão subliminar ao mesmo tempo.
A sociedade não expressa mais os padrões conservadores que o mercado quer porque eles até que deram lucro, mas, apenas até agora.
Hoje o mote é lucrar com a diferença. Para isso, precisamos tornar o diferente, presente: por isso que as empresas seguem, atualmente, uma linha de pensamento de apoio a diversidade. E, a par e passo, a diversidade não é mais ameaçadora como fora em tempos de tenra democracia.
A diversidade, hoje, ela é apenas estilo, estética. Não representa mais ameaças e, tampouco, revolução.
As esperanças não ficaram mais na lâmina de uma Gilette. As esperanças foram engolidas pelo espelho.
Você se vende. E, o pior: você também não se pertence mais.

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