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Sobre a Soberba

Bom dia! Ontem foi mais um daqueles dias cheios de trabalho, onde a sua opinião sempre vale menos que a dos outros, o fascismo generalizado e a competição sem lógica e fundamento de cada um mostrar o que pode, tem, acha que é ou acha que sabe chega naquele ponto em que você precisa contar até dez várias vezes ao dia. O importante é sempre ter simpatia e sorriso no rosto, certo? Um colega de trabalho acabou de se divorciar, faz menos de um ano, e está sedento por namorar, conhecer uma pessoa. O problema é que seu desespero é tão grande que ele, sempre que encontra alguma pretendente, vai "muito em cima", de forma que a moça acaba por se sentir até sufocada... Isso que quem está junto do cara também se sente assim, porque são tantos títulos, tantos 'achievements', tantos méritos e tantas qualidades que qualquer um se sente mal. A soberba não tem limites. O que vivenciei ontem já virou rotina. Não acontece apenas com o meu amigo: em qualquer lugar que vou e me rela...

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Sobre as Religiões de Matrizes Africanas

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Canto de Ossanha Vinicius de Moraes O canto da mais difícil E mais misteriosa das deusas Do candomblé baiano Aquela que sabe tudo Sobre as ervas Sobre a alquimia do amor Deaaá! Deeerê! Deaaá! O homem que diz dou Não dá! Porque quem dá mesmo Não diz! O homem que diz vou Não vai! Porque quando foi Já não quis! O homem que diz sou Não é! Porque quem é mesmo é Não sou! O homem que diz tou Não tá Porque ninguém tá Quando quer Coitado do homem que cai No canto de Ossanha Traidor! Coitado do homem que vai Atrás de mandinga de amor Vai! Vai! Vai! Vai! Não Vou! Vai! Vai! Vai! Vai! Não Vou! Vai! Vai! Vai! Vai! Não Vou! Vai! Vai! Vai! Vai! Não Vou! Que eu não sou ninguém de ir Em conversa de esquecer A tristeza de um amor Que passou Não! Eu só vou se for prá ver Uma estrela aparecer Na manhã de um novo amor Amigo sinhô Saravá Xangô me mandou lhe dizer Se é canto de Ossanha Não vá! Que muito vai se arrepender Pergunte pr'o seu Orixá O ...

Coragem

Aprendi a admirar Os pobres diabos Os renegados Os excluídos Os excomungados Uma coisa eles têm Coragem Não aquela coragem De realizar sonhos Mas a de enfrentar o presente Coragem de mostrar o rosto Sujo Os dentes Podres As muquiranas Coragem de dizer não De viver o seu modo de dizer não Coragem de ser o paradigma Coragem de ser o problema Coragem de ser rebelde Aos questionadores Desobedientes Mal educados Vocês tem coragem O mundo precisa de vocês

Cadeia

Me permita não precisar trabalhar Me permita dormir em paz Me permita usar os meus 5 sentidos livremente Me permita comer bem Me permita, pelo menos, sair ao Sol Sentar ao lado da menina Sentir o cheiro das jasmins e das azaléias Ouvir o som dos escapamentos sujos ecoar nas paredes cinzas Visitas? Não, obrigado Mas, se vierem Entrem! Me permita Direitos Me permita a defesa dos meus Direitos Me permita a interpretação dos meus Direitos Me permite o exercício dos meus Direitos Me permita ter acesso a informação Acesso ao mundo da comunicação Me dê liberdade de expressão Me permita viajar para outra dimensão Deixe-me que me descubra Sem alienação Evolução Me permita recuperação

Estante

Por quê não voltamos àquela inocência de outrora? Por quê não deixamos tudo o que é processado? Por quê não percebemos o que é processado? Embalagem não é casca Nem toda tela é arte Quando você me perguntou se eu estava fingindo Eu te disse que sim Hoje, quando você me pergunta Eu nego Meu sangue plástico não é capaz de lubrificar o meu coração Meu cérebro elástico já não opera sob tensão A flexibilidade acabou Eu garimpo ideias numa prateleira Procuro frases feitas porque já não faço as minhas As esperanças não estão guardadas Nem escondidas Foram tiradas do rosto na lâmina Foram confundidas e caladas Hoje, não são nem compreendidas Foi tudo processado, oferecido e vendido Mantido como souvenir Assim, sob distanciamento Achamos que somos alguém Super-heróis Pelo o que temos na estante No coração? Apenas plástico

Passados Em Uma Máquina

Você come Comida processada Você come Lixo Você come Comida enlatada Você come Lixo Você bebe Gás e açucar Você come Poeira assassina Você gosta Do branco da neve Você vê O branco dos pós Você pede Açucar e sal Você precisa De sabores do bem Você sente O paladar venenoso Você não sabe Quem é você